O combate à falsificação de produtos de luxo tem se intensificado globalmente, e países como França, Estados Unidos e Brasil adotam medidas rígidas para coibir essa prática. Mas o que um consumidor deve fazer para evitar ser acusado de um crime ao viajar com itens falsificados?
As advogadas criminalistas Cecilia Mello, Flávia P. Amorim e Marcella Halah, sócias do Cecilia Mello Advogados, alertam que a falta de conhecimento sobre as leis pode levar a consequências graves. “Embora casos específicos de consumidores sendo flagrados em aeroportos com produtos de luxo falsificados sejam raros e pouco divulgados, é importante destacar: a compra de itens falsificados é ilegal e prejudica a economia formal. Além disso, esses produtos podem financiar atividades ilícitas e violar direitos de propriedade intelectual”, afirma Cecilia Mello, desembargadora aposentada do TRF3.
Confira um passo a passo para evitar problemas, com informações do site Leo Dias.
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Saiba o que diz a lei do seu destino
A legislação sobre falsificação varia de país para país. Na França, transportar itens falsificados, como bolsas e relógios de marcas de luxo, pode resultar em multas que chegam a 300 mil euros, além de pena de até três anos de prisão. Já nos Estados Unidos, os produtos falsificados podem ser confiscados na alfândega, e o consumidor pode enfrentar sanções.
“Em muitos países, incluindo o Brasil, a posse de produtos falsificados pode levar a sanções legais. Embora a principal responsabilidade recaia sobre fabricantes e vendedores, compradores também podem ser impactados”, alerta Marcella Halah.
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Evite comprar produtos de origem duvidosa
A recomendação das advogadas é simples: se o preço parecer muito abaixo do mercado, desconfie. Marcas de luxo possuem canais oficiais de venda, e qualquer oferta muito vantajosa pode indicar falsificação. No Brasil, a compra de produtos falsificados pode configurar crime contra a propriedade industrial (Lei 9.279/96).
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Guarde notas fiscais e certificados de autenticidade
Ao adquirir produtos de luxo, mantenha a nota fiscal e, se possível, os certificados de autenticidade. “Isso pode ser fundamental para comprovar a procedência do item em uma abordagem da alfândega”, orienta Flávia P. Amorim.
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Não aceite transportar produtos de terceiros
Ao viajar, nunca carregue itens de terceiros sem verificar sua procedência. Caso um produto falsificado seja encontrado na sua bagagem, você poderá ser responsabilizado.
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Em caso de abordagem, saiba como agir
Se for parado na alfândega com um produto suspeito, mantenha a calma e explique a origem do item. Caso seja acusado de transportar um produto falsificado, é essencial buscar assistência jurídica imediatamente para evitar problemas mais graves.
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Evite compras em marketplaces sem controle de autenticidade
Plataformas online facilitam a venda de produtos falsificados, muitas vezes sem o conhecimento do consumidor. Antes de comprar, verifique se a loja é oficial e pesquise a reputação do vendedor.
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Conscientize-se sobre os impactos da falsificação
Além dos riscos legais, a compra de produtos falsificados financia redes criminosas e pode envolver, por exemplo, trabalho escravo. O mercado de luxo investe fortemente no combate a essa prática para proteger a integridade das marcas e dos consumidores.
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Considere os riscos à saúde e segurança
Produtos falsificados podem ser fabricados com materiais de baixa qualidade ou nocivos, representando riscos à saúde. Além disso, a durabilidade e funcionalidade desses itens são geralmente inferiores.
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Informe-se
Diversos países têm adotado estratégias para combater a pirataria no setor de luxo. Confira a seguir!
França:
- “Real Ladies Don’t Like Fake”: a França, sempre na vanguarda do combate à pirataria, lançou recentemente a campanha “Real Ladies Don’t Like Fake” (“Damas de verdade não gostam de falsificações”), uma iniciativa para conscientizar consumidores e combater a venda de produtos falsificados no setor de luxo. A campanha, promovida por diversas marcas icônicas em parceria com as autoridades locais, tem como objetivo destacar o impacto negativo da falsificação na indústria da moda e incentivar os consumidores a optarem por produtos autênticos. Além de ações educativas, o governo francês tem reforçado as fiscalizações nas alfândegas e aeroportos, além de intensificar parcerias com plataformas digitais para erradicar a venda de itens falsificados online.
União Europeia:
- EUIPO (Escritório de Propriedade Intelectual da União Europeia): o EUIPO tem de fato aumentado as suas atividades de sensibilização e fiscalização contra produtos falsificados. Em campanhas recentes, como a “EU vs. Disinfo”, há ênfase na educação do consumidor sobre os riscos da falsificação. Além disso, a cooperação com as autoridades aduaneiras e a realização de campanhas educativas sobre os efeitos econômicos e sociais da pirataria têm sido observadas. Essas iniciativas são documentadas em relatórios anuais da EUIPO.
Estados Unidos:
- U.S. Customs and Border Protection (CBP): o fortalecimento das fiscalizações em portos e fronteiras americanas é uma realidade documentada. A CBP regularmente emite relatórios sobre apreensões de produtos falsificados, e a aplicação de penalidades contra empresas que facilitam a venda desses produtos também é uma política pública documentada. Por exemplo, o Trade Facilitation and Trade Enforcement Act of 2015 é uma legislação que permite à CBP reforçar a fiscalização sobre a pirataria.
Brasil:
- Fashion Law e fiscalização em marketplaces: o Brasil tem, de fato, avançado no combate à pirataria de moda, com ações de fashion law sendo implementadas por marcas, escritórios de advocacia especializados e também por autoridades. Um exemplo é o trabalho da ANVISA e da Receita Federal, que têm colaborado para combater a falsificação, especialmente em locais como o Mercado Livre, com pressão para a remoção de vendedores de produtos falsificados. A abordagem do governo também inclui maior fiscalização em aeroportos e fronteiras.
China:
- Campanha nacional contra a falsificação: a China tem sido conhecida por sua estratégia agressiva contra a pirataria, principalmente desde 2020, quando o governo chinês começou a reforçar mais o controle sobre fábricas de falsificados e plataformas online. A Chinese Intellectual Property Office (SIPO) e a Customs China têm sido centrais nesses esforços. Há também um crescente número de ações legais contra fábricas e distribuidores de falsificados.
Emirados Árabes Unidos (Dubai):
- Fiscalização no Aeroporto Internacional de Dubai: Dubai é um dos países com as leis mais severas contra a falsificação de produtos, especialmente no que se refere ao luxo. O país tem uma alta taxa de apreensões e punições para quem tenta traficar mercadorias falsificadas. A autoridade de Customs Dubai frequentemente divulga ações contra falsificações, inclusive de marcas de luxo, e as penas são severas para turistas que infringem essas leis.
Reino Unido:
- Border Force e e-commerce: o Reino Unido tem implementado estratégias de combate à falsificação em colaboração com plataformas de e-commerce e, especificamente, com a Border Force, responsável pela inspeção em portos e aeroportos. Além disso, o Intellectual Property Office (IPO) do Reino Unido também monitora ativamente a entrada de mercadorias falsificadas e promove campanhas educacionais para consumidores e comerciantes.
As advogadas alertam que o desconhecimento das leis não isenta o consumidor de responsabilidade. “Para evitar dores de cabeça, o ideal é sempre optar por produtos originais, conhecer a legislação do país de destino e estar atento às regulamentações alfandegárias. Afinal, uma simples compra pode se transformar em um grande problema jurídico”, orienta Marcella Halah.